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Por que uma plataforma de artes em Santo Amaro? Plataforma Grão aposta na formação continuada e no fortalecimento da cena cultural do Recôncavo

Foto do escritor: Grão Arte
Grão Arte
há 8 horas
4 min de leitura

Com atuação desde 2019, coletivo desenvolve programas de formação, pesquisa, acompanhamento artístico e difusão no território


David Sol



Em um território marcado por uma intensa produção cultural, onde saberes, manifestações populares, práticas comunitárias e diferentes linguagens artísticas convivem cotidianamente, pensar a presença de uma plataforma dedicada às artes em Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia, significa também pensar sobre permanência, formação e criação de espaços para que artistas e pesquisadores possam desenvolver seus percursos sem precisar se afastar do território.


É a partir dessa perspectiva que atua a Plataforma Grão, coletivo sem fins lucrativos que, desde 2019, desenvolve ações culturais e educativas em Santo Amaro. A iniciativa articula formação, mediação e difusão, reflexão crítica, programas transdisciplinares, publicações e articulações institucionais, aproximando artistas, territórios e públicos.


O Plano Anual de Atividades da Plataforma Grão organiza essa experiência em uma programação continuada, reunindo ações voltadas a diferentes públicos. Entre elas estão o Grãozinho, dedicado às infâncias; o Grão Lab, voltado ao acompanhamento de processos criativos de artistas; o Viveiro, um Grupo de Pesquisa em Artes, dedicado à pesquisa e produção crítica; e a Mostra Grão, que articula exposição, ações educativas, visitas mediadas e rodas de conversa.


Imagem de Divulgação: Plataforma Grão


Para Lucas Nascimento, coordenador de Programação e Curadoria da Plataforma Grão, criar uma estrutura permanente de pensamento e acompanhamento artístico no território significa reconhecer que a produção cultural de Santo Amaro não precisa ser entendida apenas como objeto de circulação, mas como lugar de produção de conhecimento:


“Criar uma plataforma de artes em Santo Amaro é reconhecer a potência que já existe no território e criar condições para que ela possa se desenvolver continuamente. A gente não quer apenas trazer programação para a cidade, mas construir processos de formação, pesquisa e acompanhamento que partam daqui e possam estabelecer diálogo com outros territórios.”

A proposta também parte de uma compreensão de que a formação artística não acontece apenas em cursos pontuais. O acompanhamento de processos, a convivência entre artistas e a possibilidade de compartilhar pesquisas são entendidos como componentes fundamentais para o amadurecimento da produção cultural. É nesse campo que se insere o Grão Lab, organizado em encontros quinzenais e dois ciclos semestrais. O programa combina acompanhamento crítico individual e coletivo, escrita criativa, análise de portfólios, estudos de referências e práticas de estúdio. Cada ciclo é concluído com um Ateliê Aberto, aproximando os processos dos artistas da comunidade.


Já o Viveiro, propõe uma experiência anual de investigação e reflexão crítica, com encontros mensais, leituras dirigidas, debates, exercícios de escrita e acompanhamento das pesquisas individuais. O programa trabalha perspectivas antirracistas, identitárias, territoriais e curatoriais e prevê a produção de textos autorais reunidos posteriormente em um Dossiê Anual da Plataforma Grão.


Murilo Viola, coordenador de Comunicação e Relações Institucionais da Plataforma Grão, destaca que a criação de uma plataforma também responde à necessidade de construir redes e ampliar a circulação da produção realizada no Recôncavo:


“Uma plataforma como a Grão cria uma ponte entre quem produz no território e outros circuitos de arte e cultura. Mas essa ponte precisa funcionar nos dois sentidos: trazer referências e oportunidades para Santo Amaro e, ao mesmo tempo, fazer com que a produção daqui circule, seja reconhecida e encontre novos públicos.”

Dentro dessa perspectiva, o Grãozinho ocupa um lugar fundamental no Plano Anual da Plataforma Grão ao propor uma experiência continuada de criação, convivência e aprendizagem voltada às crianças. Para Claudia Regina de Oliveira Gonçalves, responsável pela coordenação administrativa da Plataforma Grão e pelo Grãozinho, investir na experiência artística durante a infância também significa criar condições para que as crianças reconheçam suas próprias histórias e referências culturais:


“O Grãozinho nasce do desejo de criar, para as crianças, um espaço onde arte, imaginação, memória e território possam se encontrar. Acreditamos que a infância também é um lugar de produção de conhecimento e que a experiência artística pode ampliar a maneira como as crianças percebem a si mesmas, suas histórias e o mundo ao redor. Por meio da brincadeira, das narrativas, das cores, dos gestos e das referências culturais do nosso território, queremos estimular a criatividade, a convivência e a curiosidade, construindo uma experiência de aprendizado coletiva, acolhedora e sensível.” 

Nesse sentido, a pergunta “por que uma plataforma de artes em Santo Amaro?” também desloca a lógica de concentração cultural. Em vez de pensar a produção artística apenas a partir dos grandes centros, a Plataforma Grão aposta na capacidade dos territórios de produzir pensamento, pesquisa e criação contemporânea a partir de suas próprias experiências. A proposta se estrutura, portanto, não como um equipamento isolado, mas como uma rede de relações. Artistas, pesquisadores, crianças, educadores, comunidade e público geral participam de diferentes ações, criando um ecossistema de formação e circulação cultural.


Ao apostar na continuidade, a Plataforma Grão propõe uma mudança de escala: mais do que realizar eventos, busca criar condições para que processos artísticos possam nascer, amadurecer, ser compartilhados e permanecer no território. Em Santo Amaro, uma plataforma de artes significa, portanto, construir um lugar onde criar também seja permanecer, pesquisar, seja produzir território e circular não signifique necessariamente partir. É nessa perspectiva que a Grão desenvolve seu Plano Anual: fortalecendo artistas, formando públicos e criando espaços para que a produção cultural do Recôncavo possa continuar inventando seus próprios caminhos.



Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de  Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal  repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do  Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.



Contato para imprensa:

Plataforma Grão – Comunicação e Imprensa

David Sol


 
 
 

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